QUALIDADE DE VIDA

Sempre pense a seu favor

Problemas humanos de sobrevivência extrapolam a realidade física e biológica, interagindo com anseios da alma e do espírito. Somos seres complexos, com necessidades fisiológicas entrelaçadas a estados emocionais, intelectuais e imaginativos. Por isso, rotineiramente, nossa mente se transforma em poderosa fonte de estresse.

Quem nunca viu um episódio comum ser convertido em algo ameaçador por uma interpretação enganadora?

Todo pensamento ou sentimento perturbador é capaz de acionar estados de alerta, gerando tensão física e psicológica. A reação é provocada por estímulos criados mentalmente, independente de haver ou não um perigo real. O potencial nocivo de tal condição é um estado de insatisfação consigo mesmo e com a vida. Tudo pode estar bem no mundo externo, mas internamente são visualizadas situações de tensão. Nesses casos, a vida parece ser sempre difícil, pesada e infeliz. O nível de estresse implica fontes externas e internas, porém a força dos estressores depende de dois aspectos principais: a vulnerabilidade individual perante riscos e obstáculos e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. Um fator central na produção interna de tensões é a ansiedade interminável. Por exemplo: expectativas desmedidas ou ilusórias geram alta ansiedade, assim como desejos de ser aceito por todos ou dificuldades de se impor.

Diante desse estresse que vem de dentro, o primeiro passo é identificar ideias e atitudes autodestrutivas.

Os ansiosos cultivam uma visão de mundo negativa e vêm ameaças em toda parte, tendendo a imaginar desgraças, fracassos e erros. Numerosas pesquisas demonstram a necessidade de cuidar de sentimentos e pensamentos prejudiciais à autoestima e autoafirmação, aprendendo a pensar de modo antiestresse. São muitos os desafios da vida, sabemos que alguns serão vencidos e outros não. Uma avaliação apropriada dos problemas da vida diferencia aborrecimentos das tragédias, resultados possíveis de soluções irreais, sacrifícios necessários dos sofrimentos inúteis, tudo moderando ansiedades exageradas ou um otimismo cego.

Uma dica para iniciar essa reflexão:

adquira o hábito de se perguntar se o pensamento está funcionando contra você, quando deveria agir a seu favor.

Escrito por: Marisa Moura Verdade
Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano, Especializada em Psico-Oncologia, Pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião (IPUSP). Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte (FAPESP-Casa do Psicólogo, 2006).