Maria Madalena foi o primeiro discípulo a quem Jesus visitou depois de ressucitado

Maria Madalena, assim chamada porque era do povoado de Magdala, perto de Cafarnaum. Nada se sabe de sua vida anterior e muitas vezes foi identificada como a pecadora que ungiu os pés de Jesus com um perfume muito fino que trazia em um frasco de alabastro (Mt 26,6); porém, não há fundamento histórico para essa interpretação.

Segundo Lucas, o grupo que seguia Jesus estava formado em sua maioria por homens, mas muitas mulheres que haviam sido curadas de enfermidades também o seguiam. Entre elas estava Maria Madalena, da qual haviam saído sete demônios (Lc 8,1-3). Essa expressão, muito usada na linguagem bíblica, tem um sentido figurado: ela pode indicar doenças físicas, psíquicas ou espirituais importantes. Já o número 7 indica a perfeição ou completude no judaísmo. Isso pode significar que eram enfermidades graves e, por serem desconhecidas naquela época, eram atribuídas à ação de Satanás.

” No tempo de Jesus a mulher não tinha quase nenhuma importância, muito menos credibilidade, portanto, o fato dela pertencer a esse grupo mostra claramente que Jesus não marginalizava as mulheres, ele valorizava todos por igual. ”                               

Quando Jesus chega ao Calvário para ser crucificado, todos os discípulos homens fogem com medo dos judeus e se escondem, mas não as mulheres – elas ficam ao pé da cruz com Maria sua Mãe (Jo 19,25). Jesus foi crucificado na sexta-feira, e, por ser véspera da páscoa dos judeus naquele ano, foi colocado às pressas no sepulcro sem que houvesse tempo de preparar o corpo. No dia seguinte sábado todos deviam permanecer obrigatoriamente em suas casas.

Por isso, ao amanhecer do domingo, Madalena volta ao sepulcro e o encontra aberto sem a pedra que o fechava. Corre então para avisar os demais discípulos, e Pedro e João se apressam para verificar o acontecido (Jo 20,3-8). Olham dentro e como não veem nada além dos panos que cobriam o corpo, não acreditam nela e voltaram para suas casas. Maria, porém, fica ali chorando. Nisso, vê dois anjos ali dentro e também um homem que se aproximava e diz: “Mulher por que choras? A quem buscas?” e ela, pensando que era o jardineiro, lhe pergunta onde colocou o corpo de seu Senhor para ir buscá-lo. Até esse momento não o tinha reconhecido, mas Ele a chama pelo seu nome (Jo 20, 15-18), ela o reconhece e diz “Rabôni!”, isto é, “Mestre!”.

Maria buscava seu amado e voltou de novo para olhar o sepulcro mais uma vez chorando inconformada. Nesta belíssima leitura está muito claro que Jesus pode hoje, também nos perguntar “por que choras?” e pronunciar nosso nome… Maria teve o comportamento de quem ama, em lugar de ficar chorando em casa foi chorando até o sepulcro e por isso o encontrou. Jesus se deixa encontrar por aquele que fielmente o busca e Madalena teve o privilégio de ser a primeira a vê-lo por que muito o amou.    

” O Ressuscitado envia Maria Madalena como mensageira, ela deverá transmitir estas palavras aos seus irmãos: “Subo a meu Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17). Assim, o Pai e Deus de Jesus Cristo também é nosso Pai e nosso Deus. “

No verso 18 o evangelista nos diz que Maria Madalena se apresenta ao grupo e de forma firme e singela e diz: “Eu vi o Senhor” (Jo 20,18).

Por: Eliana Galván Gil