Desafios da ansiedade

Todo transtorno de ansiedade apresenta sintomas psicológicos e físicos.

Qualidade de Vida

Ansiedade é o assunto do momento.

Não é para menos, os dados sobre transtornos de ansiedade são alarmantes, indicam um problema de saúde pública desafiador. Para ter uma ideia desse desafio, imagine que neste momento uma em cada quatro pessoas no mundo sofre uma crise de ansiedade.

Essa pessoa está aflita com a sensação de aperto no peito, percebe as mãos suadas e o coração batendo mais rápido. Sua mente é tomada por um medo inexplicável e preocupações obsessivas com alguma coisa que ainda vai acontecer. Esses são os sintomas mais frequentes das crises de ansiedade, o transtorno psicológico predominante na atualidade.

Segundo estatísticas recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017), mais de 260 milhões de pessoas já enfrentaram estados de intensa ansiedade , um aumento de 15% em relação ao índice de dez anos atrás. O Brasil é o país mais ansioso e estressado da América Latina. Aproximadamente, 10% da população brasileira apresenta altos níveis de ansiedade, levando em conta transtornos de ansiedade generalizada, estresse pós traumático, ataques de pânico, fobias e TOC (transtorno obsessivo compulsivo).

ANSIEDADE

O que as pessoas pensam que é:

  • Impaciência
  • Frescura
  • Desejo que algo aconteça

O que realmente é:

  • Insônia
  • Ataques de pânico
  • Tensão muscular
  • Preocupação excessiva
  • Tremor
  • Falta de ar ou respiração ofegante
  • Medos irracionais
  • Dor no peito
  • Batimentos cardíacos acelerados

Todo transtorno de ansiedade apresenta sintomas psicológicos e físicos.

No plano psicológico são comuns tensão e nervosismo constantes, sensação de perigo e antecipação de tragédias, dificuldade de concentração mental, medos persistentes, impossibilidade de controlar pensamentos associados a
focos de tensão, preocupação exagerada a respeito da realidade das experiências ansiosas, dificuldade para dormir, agitação d e pernas e braços. No plano físico são mais frequentes dor no peito , falta de ar e taquicardia, boca seca, fraqueza e cansaço, mãos e pés frios ou suados, náuseas, tensão muscular, dor de b arriga e diarreia. Apesar do intenso sofrimento que provocam , a tendência geral é considerar os distúrbios de ansiedade como “frescura, piripaque, chilique ou faniquito” termos que remetem a reações emocionais excessivas e desregradas. Na verdade, quando o nível da ansiedade aumenta demais a pessoa sente se incapaz
de enfrentar o dia a dia. Os sintomas físicos confundem os mais ansiosos, que passam a buscar ajuda em pronto s socorros temendo um colapso . A maioria consulta muitos médicos até aceitar um diagnóstico de transtorno de ansiedade.
Ansiedade é uma emoção tipicamente voltada para o futuro, envolve
preocupações e expectativas . Em níveis moderados, é funcional. Supõe estado de alerta, foco e motivação para enfrentar desafios e solucionar problemas. Em níveis elevados torna se patológica, atuando de forma perseverante e avassaladora . Diferente do medo, que sempre tem um objeto definido, o excesso de ansiedade gera idéias e fantasias negativas, criando previsões ruins e ameaçadoras . A ansiedade se torna patológica quando atrapalha a vida do paciente, aparecendo de modo inconveniente e provocando condutas inadequadas.

As experiências do passado exercem grande influência

Na clínica psicológica consideramos que as experiências do passado exercem grande influência no aumento do nível da ansiedade, sejam elas traumatizantes ou não. O acompanhamento psicológico permite identificar como o paciente organiza seu pensamento e as linhas de raciocínio
para entender as situações cotidianas. O modo de pensar é um fator fundamental no aumento da ansiedade. A terapia desses transtornos propõe delimitação dos focos de ansiedade e enfrentamento direto das questões angustiantes . A recuperação da capacidade pessoal de administrar o dia a dia deriva da convivência com os medos e as incertezas agenciadas pelo futuro.

A psicoterapia pode ajudar muito

Geralmente, transtornos de ansiedade respondem bem à psicoterapia, muitas vezes num período de tempo curto. O tratamento dessas disfunções pode implicar uma combinação de psicoterapia e acompanhamento medicamentoso.

O ponto central é promover novas relações do paciente com os temíveis sintomas dos ataques de ansiedade.

Escrito por: Marisa Moura Verdade 
Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano, Especializada em Psico-Oncologia, Pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião (IPUSP). Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte (FAPESP-Casa do Psicólogo, 2006).