QUALIDADE DE VIDA

Qualidade é uma palavra relacionada com a função sentimento

Por Marisa Moura Verdade

Qualidade é uma palavra relacionada com a função sentimento, responsável por nossas avaliações sobre o que é bom ou ruim, belo ou feio, agradável ou desagradável. Qualidade de vida indica mais do que simplesmente sentir-se vivo: corresponde à percepção de que o viver é bom e produz sensações de uma vida atual gostosa e compensadora, permeada por experiências físicas, psíquicas e espirituais significativas. Várias pesquisas demonstram que a boa qualidade de vida está associada a sentimentos de sucesso em quatro áreas da existência humana.

1. Área social – sentimento de ser bem sucedido nas amizades e na vida comunitária. Relaciona-se com as trocas entre o Eu e as pessoas dos grupos de convivência, de modo geral.

2. Área afetiva – sentimento de ser capaz de estabelecer vínculos emocionais profundos e estáveis. A pessoa percebe a si mesma como alguém que ama e é amado, capaz de dar e receber afeto.

3. Área profissional – sentimentos de competência e realização por meio do serviço prestado à comunidade. Confiança no futuro profissional e na sobrevivência econômica.

4. Área da saúde – cuidados com o corpo: a busca da experiência corporal livre de dores e a promoção de boas sensações. Reconhecimento da necessidade de movimentar-se, expandir-se e repousar. Desenvolvimento da capacidade de recuperar a estabilidade emocional, da mente se desligar dos problemas e descansar. Dormir, brincar, descontrair etc.

Certo grau de tensão faz parte de toda vida e não pode ser eliminado totalmente.

Uma situação estressante, quando seguida da oportunidade de relaxar, não prejudica o bom funcionamento do corpo ou da mente. Profissionais dedicados ao tratamento do estresse crônico consideram que uma visão de mundo positiva e interpretações otimistas das circunstâncias, atenuam os estados de excitação e irritabilidade.

1. Adultos são responsáveis por sua qualidade de vida, podem e devem desenvolver uma filosofia de bem viver.

2. O presente mais maravilhoso que Deus nos deu é o nosso corpo. O mínimo que podemos fazer para agradecer-lhe é cuidar muito bem dele. Respire profundamente algumas vezes por dia. Beba água, no mínimo 8 copos por dia. Cuide da sua alimentação. Informe-se sobre as necessidades nutricionais do corpo. Recupere seu paladar, comendo devagar e em pequenas porções. Faça atividades físicas, no mínimo 3 vezes por semana.

3. Cultive um sentido de alma para a vida: descubra suas qualidades, avalie seu temperamento e quais são suas crenças essenciais. Considere se é coerente com elas. Defenda seu bem-estar. Cultive um respeito saudável por sua individualidade e senso de singularidade pessoal. Procure ajuda sempre que necessária. Você pode aprender com amigos, médicos, terapeutas.  

4. Conheça e respeite o outro: avalie sua capacidade de ouvir e perceber as outras pessoas. Ouça com atenção, confira se entendeu o que a pessoa quer dizer. Ao falar, certifique- se de que o outro compreende o que você pretende expressar. Tenha em mente o seguinte: a outra pessoa não é melhor nem pior que você.  Aceitar e usufruir as diferenças é sabedoria.

5. Amor, intimidade e sexualidade são  antiestresse. Relações compulsivas, superficiais, narcisistas são como fastfood: por vezes, atraentes, mas não são nutritivas e podem custar muito caro a médio prazo. Desenvolva maneiras de se aproximar de pessoas com quem sinta afinidades, compartilhando sentimentos, desejos e sua história de vida. Cultive espontaneidade, sinceridade, amizade, alegria e prazer nas trocas afetivas. Deixe o sentimento fluir: amar sempre faz bem para o coração.  6. Fé – Medite sobre a importância do SER em relação aos valores do TER. Medite sobre sua vida espiritual, considerando os anseios da alma, vivências religiosas e a busca de valores transcendentes. Confie na possibilidade de receber o apoio necessário.

* Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano, Especializada em Psico-Oncologia, Pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião (IPUSP). Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte.