Conheça a Paróquia

A PARÓQUIA SÃO JOSÉ

Os religiosos de Sion no Brasil…
A presença dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion, tem suas origens no Brasil em uma viagem que o Superior Geral da Congregação, Pe. Marc Givelet, fez a este país, no ano de 1912. Tomando consciência da vastidão do campo apostólico, da falta de “operários” e da expectativa angustiante dos cristãos e, movido pela caridade e pelo espírito missionário, Pe. Givelet imediatamente concebeu a ideia de enviar membros da sua Congregação a um país tão carente de assistência religiosa, mas, ao mesmo tempo, de um futuro promissor. Voltando a Paris, ele prometeu a si mesmo não descansar enquanto não realizasse seu projeto de atender às necessidades espirituais do Brasil, que tanto o haviam impressionado. Decidiu intimamente empenhar-se com todos os esforços para que ele mesmo dirigisse o primeiro grupo de missionários. Às vésperas das ordenações de novos padres, o Conselho da Congregação achou que o momento havia chegado. E, para realizar o seu plano, Pe. Givelet pediu demissão de seu cargo de Superior Geral, aceita com muita relutância. Foi assim que, no dia 30 de agosto de 1912, o Pe. Marc Givelet (francês), o Pe. Arnaldo Dante (italiano) e o Pe. Charles Hoare (inglês), embarcaram no porto de Chembourg, na França, chegando ao porto de Santos, Brasil, 18 dias depois, a 17 de setembro. Nesse mesmo dia rumaram para São Paulo. Todo imigrante compreende o que significa chegar a um país estrangeiro. Tudo é diferente, particularmente naqueles tempos em que os meios de comunicação eram precários.


Brasil… São Paulo
Após algum tempo – necessário para se ambientarem em terra e cultura tão diferentes das suas – e após terem feito os primeiros contatos com a língua portuguesa, a 4 de dezembro do mesmo ano – portanto, dois meses e meio após a sua chegada –,  Pe.  Givelet, Pe. Dante e Pe. Hoare começaram, em Bragança Paulista, a primeira missão no Brasil, dirigida pelo Pe. Rossi, jesuíta, que iniciou os jovens sacerdotes na “arte” e na “ciência” das missões brasileiras. Depois de certo tempo, já mais afeitos à língua e aos costumes, querendo realizar o sonho de se fixarem no Brasil, tentaram, primeiramente, instalar-se em Bragança e, mais tarde, em São José do Rio Preto, mas sem sucesso. A Providência tinha outros planos para a Congregação.  De fato, a 7 de fevereiro de 1915, os Padres de Sion aceitaram a proposta do Sr. Arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva, de se encarregarem da Paróquia São Joaquim, no Cambuci, “um dos arrabaldes da cidade episcopal” (Pe. Givelet, Relatório de 1919). O Pe. Dante foi nomeado Pároco e o Pe. Hoare, vigário-coadjutor.


Brasil… São Paulo… Ipiranga
Em carta ao Superior Geral, datada de 10 de maio de 1916, o Pe. Hoare escrevia “Havia um outro ponto da Paróquia que nos interessava mais que o Cambuci: não somente porque lá existiam almas abandonadas e sem Igreja, mas também porque, se Deus quiser, será a futura sede de Sion no Brasil. Será a primeira Fundação Sionense neste país, pois ainda não temos casa própria: trata-se do Ipiranga”. No Ipiranga havia possibilidade de muito trabalho, “mas para isso, continua o Pe. Hoare, seria melhor morar no local, ter a nossa própria Igreja, a fim de estarmos mais à disposição dos fiéis… O povo do Ipiranga reclama uma Igreja. Não temos os meios de satisfazer aos seus desejos, que são também os nossos… Quando se realizará este belo plano!…O Ipiranga é o futuro da Congregação no Brasil“. Em 25 de setembro de 1916, o mesmo Pe. Hoare escrevia: “Há alguns dias atrás festejávamos em família o quarto aniversário de nossa chegada ao Brasil. Durante esses quatro anos corremos muito. Fizemos diversas tentativas. Mas neste mês deu-se um fato muito mais importante que todo o resto quanto ao que se refere à nossa missão no Brasil… Quero falar da aquisição de um terreno, onde será erigida nossa futura Igreja, que será dedicada a São José… Nosso terreno se encontra no centro do bairro, se bem que um pouco afastado do centro habitado atualmente. Mas com o tempo, o Ipiranga se desenvolverá do nosso lado… Muito em breve começaremos as obras. Isso desde que tenhamos algo em caixa. Até agora não temos nem um centavo, aliás, temos menos que isso. É de bom agouro! Contamos muito com São José”.


Construção e bênção da Igreja São José
O desejo de uma construção não ficou só no papel e na ideia. Uma vez que os religiosos julgaram que o tempo havia chegado, obtiveram as devidas licenças e autorizações da Cúria Metropolitana de São Paulo. E em setembro de 1918, o Pe. Dante deu início às obras de construção da Igreja e, como ele gostava de repetir, “confiando mais na proteção de São José do que nos bolsos ou na caixa, que continuava vazia“. No relatório apresentado ao Capítulo Geral da Congregação de Sion, em julho de 1919, em Louvain, na Bélgica, o Pe. Givelet escrevia: “No mês de setembro (dia 2) de 1916, compramos um vasto terreno… Sua situação no Distrito do Ipiranga é muito vantajosa e aí construímos uma pequenina casa provisória. No alto do terreno começa a se elevar a Igreja, suficientemente ampla… O altar-mor e as capelas laterais já estão em vias de acabamento. Se os recursos não faltarem, dentro de alguns meses poderemos atacar a nave central. A finalidade a que nos propusemos, empreendendo esta obra admirável e considerável é, sem dúvida, a de garantir edifícios religiosos para a população quase totalmente abandonada”. Depois de quase um ano de trabalho e ainda não completamente terminada, a Igreja foi benta pelo Sr. Arcebispo. A essa cerimônia, solene, mas simples ao mesmo tempo, acorreu grande multidão. Era o acontecimento: uma Igreja tão ardentemente desejada e em um bairro quase abandonado.


Fundação da Paróquia A Igreja, embora inacabada, já estava funcionando como tal. A população crescia. A necessidade de um atendimento mais seguido e regular se fazia sentir de um modo doloroso por parte dos religiosos. A sede da paróquia ficava muito distante e os meios de comunicação não eram fáceis, em particular para a população operária, com período de trabalho muito longo. O Superior deu autorização aos religiosos para recorrerem às autoridades eclesiásticas. Pediram à Cúria para que a Igreja São José se tornasse a sede de uma nova paróquia. Estudos foram feitos, possibilidades analisadas. Até que o Sr. Arcebispo confirmou que as necessidades de uma paróquia no Ipiranga eram reais, e sua realização, possível. Depois das consultas de praxe em tais circunstâncias, as autoridades resolveram definitivamente criar a paróquia por um decreto datado de 15 de novembro de 1920. Ela foi criada canonicamente dia 25 de dezembro de 1920, com a posse do primeiro pároco oficialmente nomeado o Pe. Ernesto Pilati, sendo seu coadjutor o Pe. Luciano Rongé.