Caminhando – ZAPT. Salvação expressa.

Por que Deus não estalou os dedos e fez todo mundo saber tudo?

Algo do tipo “Salvação num estalar de dedos”?

Poderia ter chamado Abraão de lado e dito: “Olhe meu velho, faz um tempão que estou esperando essa luzinha acender. Não dá mais para esperar. Vou fazer um download de tudo.” E… ZAPT, a humanidade estaria salva e ponto final.

Vai me dizer que você nunca pensou nisso?

Uma das chaves para a resposta a esta pergunta está de certo modo em outra passagem: o episódio da sarça ardente, lembram dela?

Moises, assim como um dia Abraão, estava cuidando da sua vida, mais precisamente tomando conta do rebanho do seu sogro, quando se depara com algo que não entende: uma sarça – arbusto – ardente.

Queimava sem queimar, com o que parecia ser uma chama que não consumia. Curioso, Moises se aproxima e vê um anjo de Deus que lhe dirige a palavra.

Se com Abraão o contato foi mais discreto, mais íntimo, agora é no direto e reto. O Eterno não era mais desconhecido. O povo já tivera contato com seus ensinamentos. Já eram Seu povo.

No diálogo que segue (com uma certa liberdade poética de minha parte) Moises pergunta: “Meu povo está acostumado com nomes: Isis, Osíris, Rá. Quem digo para eles que sois? Em nome de quem falarei?”

E ouve a resposta que até hoje nos enrolamos para entender: “Sou aquele que É”.

Ah… entendi tudinho, você murmura com um olhar de “hein?!?”.

A resposta está na gramática: é sobre verbos e substantivos.

Pato, garfo, cadeira, sol e até amor são substantivos. Coisas que cabem em um nome são substantivos. Você diz e pimba, está definido. Gato azul. Não existe, mas você já o imaginou, certo?

Deus não é um substantivo. Não cabe em uma definição. Não nas nossas, pelo menos.

Ele então se apresenta como um verbo, como uma ação: Ele já era uma ação antes, no início dos tempos, era no momento que falou com Moises, é hoje, e o será muito depois de termos virado pó da rabiola.

E verbos não se visualizam, eles são percebidos pelos sentidos: devem ser experimentados, experenciados, diria eu.

Conseguimos explicar Thor, Odin, Osíris, e tantos outros porque afinal eles saíram da nossa imaginação. Eram, como nós, substantivos. Mas Deus não. Não se entende, se vivencia.

Por isso convidou Abraão para caminhar, tendo antes o cuidado pedir que largasse tudo, ou seja, todos os seus conceitos e ideias pré-concebidas, certezas que foram juntadas em décadas de vida. Precisava se esvaziar do velho para que pudesse se encher do Novo.

E sabe o que é mais emocionante de tudo isso? É que o caso de Abraão é importantíssimo pois ele é a porta de reentrada de Deus para o homem, mas, aquele mesmo convite feito ao velho Abraão, complementado no “recrutamento” de Moises, é repetido todos os dias, todo o tempo, para cada um de nós, e em particular!

Do mesmo modo que o velho Abraão foi visitado um dia e chamado para caminhar com O Eterno, eu e você que lê este texto, e até outros tantos que nem sabem que este texto foi escrito, estão sendo convidados a largar sua parentada e coisas e seguir com Ele.

Largar tudo, aqui, é esvaziar-se de nossas certezas e nos colocar a caminho.

Ei, psiu…Você mesmo que está lendo isso aqui. Sou Eu, “Aquele” que tem Sido, que É e que Será. Tenho algumas coisinhas para te dizer. Coisas que irão resolver esta sua inquietação. Dá um tempo na barulheira interna e vem comigo. Vamos caminhar.

Mas será que deu certo? Tudo se resolveu e continua se resolvendo com um simples convite e uma convocação?

Ainda não. Mas ficou ainda melhor.

Ainda mais pessoal!

Ainda mais pessoal?

Por que nos chamou?

Por que se importa, afinal?

Jeaf.