A Caminhada – Pensando a nossa Fé.

Para onde devemos caminhar?

O ser humano não nasce pronto, acabado. Falta uma peça sem a qual ele até que funciona por algum tempo, só que mais cedo ou mais tarde começa a ratear.

Patos, galinhas, marrecos, girafas e leões também nascem frágeis, mas com uma fragilidade diferente. Se receberem atenção, alimentação e segurança, depois de algum tempo seguem na “banguela”, caminham por sua conta, seguindo a programação básica: seu instinto.

Nós não somos bem assim. Também precisamos de atenção, alimentação e segurança, só que não para por aí: só isso não basta. Precisamos também receber carinho e amor, senão crescemos “desgarrados”, como se dizia antigamente.

Temos essa necessidade de coisas que não são encontradas no supermercado ou na farmácia. Não se colhe na horta, não se prepara no fogo, não é suco e nem se come cru ou cozido. É a necessidade de um “não sei o que”.

Li em algum lugar que os pesquisadores ficaram intrigados com os túmulos que encontraram de nossos ancestrais que viveram há mais de 10.000 anos. Descobriram que as pessoas quando morriam não caiam e ficavam no lugar, defuntas e em decomposição, ao ar livre como todos os animais.

Ao contrário, os corpos eram colocados em covas, enterrados com seus pertences, e em uma posição arranjada e não largada.

A morte incomodava. Tirava da rotina. Mexia nas pessoas de uma forma que ia muito além da simples curiosidade.

E não era só a morte. Com o passar do tempo outras perguntas surgiam: fogo, dia, noite, chuva, trovão, raio, medo, alegria, atração e repulsa, nascimento. O que é tudo isso? De onde vem?

Com muitas perguntas e poucas respostas, a imaginação fazia a festa: “deve ter algo ou alguém, criaturas talvez invisíveis e muito mais poderosas do que nós e que “comandam” o mundo visível”, pensavam.

Daí para dar um nome a estes seres foi um pulinho. Lá na região do norte da Europa, por exemplo, onde hoje fica a Noruega, Holanda e Dinamarca, havia um povo que era muito bom em trabalhar como ferreiros. Vendo as fagulhas pulando conforme se malhava o ferro em brasa, imaginavam que deveria haver uma criatura superpoderosa, tal como este ferreiro, só que habitando os céus. Em noites de chuva, quando ele martelava em sua bigorna celeste, algumas faíscas escapavam e caiam para a terra em forma dos raios que eles viam.

Deram a ele o nome de “Thor”, que significa “trovão” na língua local. E o imaginaram com um poderoso martelo: nascia então Thor, o deus do trovão.

E assim o homem começou a imaginar criaturas poderosas que eram a resposta para as suas dúvidas: havia um que era o responsável pela inteligência, outro pela morte, outro pela vida, outro pela guerra, e a relação vai longe. Havia “deuses” para todos os gostos. Eram os chamados deuses naturais, pois eram ligados principalmente à natureza.

Como a maior parte das pessoas moravam reunidas em vilas, acampamentos, ou pequenas cidades, cada um tinha o seu grupo de deuses de estimação. E se as tribos se juntassem, juntavam os deuses e a conta não tinha mais fim.

Algumas destas aldeias ficavam entre os rios Tigre e Eufrates. Era o chamado “crescente fértil” já que era a única área fértil daquela região, em meio ao nada do deserto.

E foi aí, nessa região, há mais ou menos uns 5.000 anos, que a nossa história começa, ou melhor, continua. Não uma história criada a partir da imaginação humana, que por ser incapaz de explicar, usou a criatividade.

Um homem em especial, já com alguma idade, experimentado na vida e nada chegado a delírios ou aventuras visto que era um criador com posses, deixa abrir o seu coração para uma dúvida que parecia óbvia, mas que ninguém assumia: “tem alguma coisa de errada por aqui”, ele pensou. E continuou deixando-se levar pelo que sentia: “Estamos tentando explicar o que não entendemos a partir de nossas próprias criações, de nossa imaginação, ou seja, não estamos explicando é nada!

Pronto! Era a portinha da boa vontade deixada meio que aberta pelo nosso personagem, e era a oportunidade que “Alguém”, muito especial, precisava para se manifestar depois de tanto tempo de espera. Talvez este “Alguém” tenha até pensado: “depois de terem errado como ninguém, depois de tantos anos sob minha guarda, se esqueceram de tudo mas estão começando a se perguntar!

Ah, o amor tem destas coisas: damos um jeito de encontrar o que tanto desejamos e esperamos, mesmo que o outro ainda não esteja muito “ligado no lance”.

Mas, que seja agora!” Este “Alguém” deve ter dito para si mesmo. “Não irei perder a oportunidade já que este filho esqueceu a porta meio aberta” e, mais do que rapidamente, falando ao coração deste nosso personagem Ele diz:

Vem! Larga tudo aquilo em que você acreditou até hoje. Deixa tua parentada para trás e caminha comigo pois o que tenho para te dizer e mostrar não cabe em uma conversa rápida. Cabe apenas em uma longa caminhada, e nas coisas que você irá experimentar e viver durante ela. Vem! E te farei pai de uma nação

E o nosso personagem, agora chamado Abraão, larga tudo e segue o chamado que sente em seu coração, mesmo sem saber de quem vinha, mas, sentindo apenas que merecia ir atrás, se põe na estrada.

Começa então a caminhada que não é apenas de Abraão, mas nossa também. E o ser humano inquieto, com uma sede interior que não consegue saciar, vai em direção à voz que o colocou em marcha. A voz para a qual se sente atraído para muito além das suas forças.

É assim que começa a nossa aventura. Onde será que ela vai chegar?